Em 2016, quase 40 mil neozelandeses juntaram dinheiro para comprar uma praia e garantir que nunca fosse vendida a um privado. Dez anos depois, um projeto de conservação de 20 milhões de dólares acabou de devolver as aves que tinham desaparecido da floresta atrás dela.
Praia da Marinha, Cala Goloritzé e Reynisfjara são lindas em fotografia — e cada uma esconde uma armadilha logística diferente: 150 degraus, uma reserva online obrigatória, ou um mar que já matou quem lhe voltou as costas. Eis o que é preciso saber antes de ir.
Em agosto, a Praia da Marinha enche-se de sombrinhas e barcos turísticos sob o sol mais forte do Algarve. A cerca de 8500 quilómetros dali, na mesma semana do calendário, a Robberg Beach está fria e vazia — mas é ali que chegam as baleias-francas-austrais para dar à luz.
Nem toda a praia chamada "family-friendly" funciona da mesma forma. Reunimos quatro praias em pontos distintos do mundo — da laguna rosada de Elafonissi, na Grécia, aos poços de água quente na areia da Nova Zelândia — e fomos ver o que realmente as torna seguras para levar crianças.
Em novembro de 2025, dezanove praias da Garden Route receberam a Bandeira Azul — mais do que qualquer outra região da África do Sul. Entre elas está Nature's Valley, ponto final do trilho Otter e porta de entrada para Robberg, onde uma gruta guarda 125 mil anos de história humana.
Nem toda a areia é igual. Em Creta, micro-organismos pigmentados tingem a costa de rosa; na Islândia, basalto vulcânico cobre a praia de negro; na Austrália, sílica quase pura mantém o chão fresco ao sol. Três praias reais, três fenómenos geológicos distintos.
Lagoas e recifes onde as crianças andam centenas de metros sem perder o fundo.
Trilhos entre 20 minutos e três horas, com estado do caminho e o que levar.
Só duas costas europeias têm mesmo a água mais quente em outubro do que em junho — as outras ficam perto disso, sem multidões e com quartos a metade do preço de verão.
No Nordeste do Brasil há duas praias mundialmente conhecidas que a lei protege por razões quase opostas. Uma fica dentro de um parque marinho fundado em 1988, com taxa diária de conservação. A outra é um santuário de dunas que dá nome a tartarugas, em tupi.
Perguntem quem inventou o bangalô sobre a água e vão ouvir dois nomes de hotel, duas ilhas e pelo menos um ano contestado. O que ninguém discute é que o modelo nascido numa praia das Ilhas da Sociedade acabou por definir o turismo de lagoa, das Maldivas a Fiji.
Na Costa Atlântica argentina, duas das praias mais visitadas do país nasceram de formas opostas. Uma cresceu à volta de uma linha ferroviária e de um hotel que lhe deu o nome; a outra começou como 16 km² de duna instável que teve de ser plantada até parar de se mover.
Ao largo de Nosy Be, no norte de Madagáscar, nadam baleias de uma espécie que a ciência só documentou viva pela primeira vez em 2015. Antes disso, a baleia de Omura só era conhecida através de exemplares encalhados e capturas de investigação — nunca filmada no oceano.
Andilana e Ambatoloaka parecem praias tropicais como quaisquer outras, até se notarem as plantações mesmo ali ao lado. Nosy Be ganhou o antigo nome de 'ilha perfumada' graças ao ylang-ylang cultivado aqui, que acaba, depois de muita destilação, em alguns dos perfumes mais famosos do mundo.
Nem toda praia com a etiqueta "recife" tem coral à mão. Da lagoa de Moorea, onde se entra a pé, aos poços de granito das Seicheles, que dependem da maré, até à enseada em Fernando de Noronha: o que muda mesmo ao entrar na água, praia a praia.
Na costa leste de Zanzibar, a maré baixa pode afastar o mar mais de um quilómetro. No extremo norte da ilha, porém, Nungwi e Kendwa raramente ficam sem água — e a razão não tem a ver com a maré em si, mas com o fundo do mar.
Na Coral Coast das Fiji, cinco recifes de surf partilham cerca de 80 km de costa — um suave o suficiente para uma primeira aula, outro classificado como avançado e comparado ao próprio Cloudbreak. Eis que onda serve a que surfista, e quando cada uma realmente "liga".
As Maurícias estão quase totalmente rodeadas por um recife de coral, razão pela qual as suas lagoas se mantêm calmas seja qual for a costa escolhida. Na costa norte, a Trou aux Biches atrai nadadores há décadas; a oeste, a Flic en Flac vê esse mesmo mar aproximar-se um pouco mais a cada ano.
Os dezassete quilómetros de areia protegida por recife em Diani e os jardins de coral de Watamu, protegidos desde 1968 dentro de um dos primeiros parques marinhos do Quénia, ficam a 170 quilómetros de distância na mesma costa, patrulhados pela mesma associação de tartarugas marinhas, de duas formas completamente diferentes.