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As dez praias que só se alcançam a pé

6 min de leitura Actualizado em Junho de 2026 Marta Ribeiro

Nenhuma destas dez praias tem um parque de estacionamento junto à areia. Chega-se a pé por um trilho, desce-se por uma escada fixa na rocha ou entra-se de barco — nunca de carro até à beira-mar. É em parte isso que as mantém como são: sem bar de praia à mão, sem motores a ralenti, e em dois casos, com limite diário de visitantes e reserva obrigatória. Nenhuma serve para um dia de praia improvisado — todas pedem calçado apropriado, água e, nalguns casos, planeamento com antecedência.

As dez praias

  1. Cala Goloritzé, Sardenha, Itália. Sem estrada nem construções junto à água — chega-se a pé a partir do planalto do Golgo (cerca de 3,5 km, com quase 500 m de desnível, 1h15-1h30 na descida e perto de 2h na subida) ou de barco, fundeado a cerca de 300 m da costa. O acesso a pé exige reserva antecipada através da aplicação Heart of Sardinia, com limite de 250 caminhantes em simultâneo entre abril e outubro, e custa 7 € por pessoa (fonte: costadibaunei.it, heartofsardinia.com).
  2. Cathedral Cove (Mautohe), Coromandel, Nova Zelândia. O trilho oficial do Department of Conservation — Mautohe Cathedral Cove Track — é de 1h30 ida e volta, cerca de 2,5 km só de ida a partir do parque de estacionamento de Hahei; não há acesso de veículos à enseada, só a pé, de caiaque ou de táxi aquático, dentro de uma reserva marinha protegida.
  3. Praia do Sancho, Fernando de Noronha, Brasil. Fica ao fundo de uma falha na rocha com cerca de 70 metros de altura, vencida por uma escada estreita e um pequeno lanço de escada de ferro embutido na fenda — ou por barco. Não há estrada nem caminho alternativo até à areia.
  4. Kvalvika, Lofoten, Noruega. Do parque de estacionamento perto de Fredvang/Innersand são cerca de 3,5 km por um trilho costeiro até um pequeno colo — sem estrada até à areia em ponto algum. Muitos caminhantes prolongam a subida, bem mais íngreme, até ao miradouro do Ryten, o que transforma o passeio num circuito de 7,5 km e 5-6 horas.
  5. Wineglass Bay, Parque Nacional de Freycinet, Tasmânia, Austrália. A subida até ao miradouro tem 1,3 km, maioritariamente em gravilha solta (1h-1h30 ida e volta); descer até à praia e caminhar até à sua ponta sul acrescenta mais 20-30 minutos de cada vez, num total de 2-3 horas. Não há estrada até à baía.
  6. Praia de Bunes, Moskenesøya, Lofoten, Noruega. Chega-se de ferry de passageiros desde Reine até à pequena povoação de Vindstad, seguido de uma caminhada de cerca de 3 km por cima de uma colina — não há estrada nem até Vindstad, nem até à praia.
  7. Tunnel Beach, Dunedin, Nova Zelândia. Um trilho íngreme de cerca de 1,2 km desce desde a Blackhead Road até um túnel escavado à mão na falésia — 72 degraus de betão, acrescentados quando o local abriu ao público em 1983 — que sai diretamente para a areia. A natação é desaconselhada devido a correntes fortes, e o trilho já esteve fechado mais de um ano depois de uma cheia em outubro de 2024; vale a pena confirmar o estado antes de partir.
  8. Anse Cocos, La Digue, Seicheles. Sem estrada — a caminhada desde a Grand Anse, sobre afloramentos de granito e por dentro de floresta via Petite Anse, demora cerca de 45 minutos de cada vez e inclui algumas subidas curtas e suadas.
  9. Spiaggia dei Conigli, Lampedusa, Itália. Um caminho pavimentado de cerca de 600 metros, com um desnível de aproximadamente 100 metros, é a única via de acesso a partir da estrada; o número de visitantes é limitado e, em época alta, o acesso divide-se em dois turnos diários para proteger um local de nidificação de tartarugas-comuns.
  10. Praia de Fteri, Cefalónia, Grécia. A maioria dos visitantes chega de táxi aquático a partir de Agia Efimia; existe uma alternativa mais rústica para quem não tem barco — um trilho florestal não sinalizado de algumas centenas de metros, a partir de uma clareira onde a estrada termina — mas não é um caminho oficial, e vale mais perguntar localmente do que confiar apenas num pin de GPS.

Antes de partir

Algumas regras aplicam-se às dez: confirme a maré e o tempo antes de se comprometer com uma descida ao nível do mar, já que uma maré a subir pode transformar uma caminhada de saída numa escalada; leve mais água do que o habitual, sobretudo nas subidas ao sol; e, onde existe sistema de reserva ou turnos — Cala Goloritzé, Spiaggia dei Conigli —, reserve com antecedência em vez de assumir que há vaga.

Perguntas frequentes

Alguma destas praias exige reserva antecipada?

Sim — a Cala Goloritzé limita o número de caminhantes por dia através de reserva na app Heart of Sardinia (abril-outubro), e a Spiaggia dei Conigli, em Lampedusa, tem um sistema de dois turnos diários em época alta para proteger um local de nidificação de tartarugas-comuns. As outras oito não exigem reserva, mas várias têm fecho sazonal ou por mau tempo que vale a pena confirmar antes.

É seguro nadar nestas praias?

Varia de praia para praia — convém confirmar as condições locais. Em Tunnel Beach, por exemplo, a natação é desaconselhada devido a correntes fortes, enquanto a reserva marinha de Cathedral Cove costuma ser mais tranquila. Isto não é garantia de nada: verifique sempre a sinalização no local.

O que devo levar?

No mínimo: calçado fechado com boa aderência (gravilha solta, degraus molhados e raízes aparecem em várias destas caminhadas), mais água do que levaria para um dia de praia normal, e um horário definido para o regresso — em várias destas subidas o caminho de volta é bem mais exigente do que a descida.

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