Nem toda a areia é igual — e por vezes a diferença não está no turismo, mas na geologia. Longe da fórmula habitual "areia dourada, água azul", há praias reais espalhadas pelo mundo cuja cor resulta diretamente de processos naturais muito distintos: organismos microscópicos, rocha vulcânica ou sílica quase pura. Aqui ficam três exemplos verificados, cada um num continente diferente, com a explicação científica por trás da cor — e, num dos casos, um aviso de segurança que vale a pena levar a sério antes de fazer a mala.
Na ponta sudoeste de Creta, na Grécia, a Praia de Elafonissi ocupa uma pequena ilhota de cerca de 1,5 km², separada da costa por uma laguna de água pouco funda — em dias de mar calmo, é possível atravessar a pé, sem necessidade de barco. A tonalidade rosada da areia, mais visível junto à linha de água, resulta de depósitos de organismos microscópicos pigmentados que vivem numa relação simbiótica com as ervas marinhas da zona, arrastados para a praia pela ação das marés e das ondas.
A ilhota é hoje uma reserva natural protegida, administrada pelo município de Kissamos, na unidade regional de Chania, e está desabitada. Junto à praia existem também dois memoriais que lembram episódios trágicos da história local: uma placa dedicada a um massacre ocorrido na Páscoa de 1824, durante a Guerra da Independência grega, e uma cruz de madeira em memória de 38 pessoas que morreram num naufrágio em 1907.
Do outro lado do Atlântico Norte, perto da vila de Vík í Mýrdal, no sul da Islândia, a Reynisfjara é uma praia de areia negra formada por rocha basáltica de origem vulcânica, integrada no Geoparque Global UNESCO de Katla. É conhecida pelas colunas de basalto hexagonais da gruta Hálsanefshellir e pelos pilares rochosos Reynisdrangar, ao largo, visíveis a par do vulcão Eyjafjallajökull em dias de céu limpo.
Mas Reynisfjara tem também uma reputação bem documentada de perigo: as chamadas "sneaker waves" — ondas que avançam muito mais para terra do que as anteriores, sem aviso prévio — resultam da convergência de grupos de ondulação sobre um banco de areia submerso ao largo da costa. Entre 2007 e 2024, a praia registou pelo menos doze resgates de emergência e cinco mortes; uma sexta morte foi confirmada em agosto de 2025. As autoridades islandesas responderam com sinalização multilingue, um sistema de previsão de ondas em tempo real com luzes de aviso, e zonas de segurança que variam consoante as condições do dia — a gruta e as colunas de basalto fecham ao público durante alertas vermelhos. Em fevereiro de 2026, fortes ondulações associadas a ventos de leste causaram erosão significativa e o colapso de parte das colunas de basalto, um lembrete de que a paisagem continua ativa e a mudar.
Nas Ilhas Whitsunday, ao largo da costa de Queensland, a Whitehaven Beach estende-se por sete quilómetros ao longo da Ilha Whitsunday. A areia é composta por sílica com cerca de 98% de pureza — um mineral que não existe nas rochas locais, pelo que a sua origem é atribuída ao transporte por correntes oceânicas ao longo de milhões de anos. Por ser tão fina e pura, a areia retém muito menos calor do sol do que a areia comum, o que a torna confortável para caminhar descalço mesmo em dias quentes.
A praia integra um parque nacional, com instalações de campismo geridas pelos serviços de parques da Austrália, e em 2018 recebeu um investimento de 3,9 milhões de dólares australianos em infraestruturas, incluindo novos trilhos pedonais. Não há acesso rodoviário direto: chega-se de barco, hidroavião ou helicóptero, normalmente a partir de Airlie Beach ou de Hamilton Island.
Nenhuma destas cores é decorativa. Cada uma é o resultado de processos que continuam ativos — biológicos em Creta, vulcânicos e erosivos na Islândia, sedimentares na Austrália — e que vão continuar a moldar estas praias muito depois de qualquer visita. Para quem viaja para as ver, a recomendação prática muda consoante o destino: em Elafonissi e em Whitehaven, o principal cuidado é ambiental, já que ambas são áreas protegidas onde não se deve recolher areia, conchas ou organismos; em Reynisfjara, é sobretudo uma questão de segurança pessoal — a regra mais repetida pelas autoridades islandesas é simples: nunca dar as costas ao mar.
Não é recomendável. Elafonissi é uma reserva natural protegida — recolher areia, conchas ou organismos contribui para a erosão do fenómeno que torna a praia especial e pode ser sancionado localmente.
As autoridades islandesas desaconselham entrar na água ou aproximar-se da linha de rebentação devido às "sneaker waves", que já causaram várias mortes. Siga sempre a sinalização, as luzes de aviso e nunca vire costas ao mar.
Não há acesso rodoviário direto. A praia visita-se de barco, hidroavião ou helicóptero, normalmente a partir de Airlie Beach ou de Hamilton Island, nas Ilhas Whitsunday.
Selecionadas pela redação.