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Covetrip / Diário / Vida Selvagem

A Baleia Que a Ciência Só Viu Viva em 2015, ao Largo de Nosy Be

6 min de leitura Actualizado em Junho de 2026 Marta Ribeiro

Ao largo de Nosy Be, no norte de Madagáscar, existe uma baleia que a ciência só confirmou ter visto viva em 2015. Não é uma espécie recém-descoberta — foi descrita formalmente em 2003 — mas durante mais de uma década foi conhecida apenas através de esqueletos, exemplares capturados e um único animal encalhado. A baleia de Omura tornou-se, de forma quase acidental, um dos casos mais recentes de um grande mamífero marinho documentado vivo pela primeira vez, e as águas junto a este arquipélago fizeram parte dessa história.

Uma baleia conhecida apenas por ossos

A baleia de Omura (Balaenoptera omurai) foi descrita como espécie em 2003 pelos investigadores japoneses Shiro Wada, Masayuki Oishi e Tadasu Yamada, na revista Nature, com base em nove exemplares: oito capturados por navios de investigação japoneses no Indo-Pacífico no final da década de 1970, e um encalhado em Tsunoshima, no Mar do Japão, a 11 de setembro de 1998 — uma fêmea adulta de 11,03 metros que serviu de holótipo da espécie. O nome homenageia o cetólogo japonês Hideo Omura. Até 2015, nenhum destes animais tinha sido observado ou estudado vivo, no oceano, por uma equipa científica.

Quatro anos de observações ao largo de Madagáscar

Essa lacuna começou a fechar-se entre 2011 e 2014, quando uma equipa liderada pelo investigador Salvatore Cerchio, do New England Aquarium e do Woods Hole Oceanographic Institution, passou a percorrer regularmente as águas ao largo do noroeste de Madagáscar. Ao longo desses quatro anos, registaram 44 avistamentos confirmados — 13 em 2013 e 25 em 2014 — a maioria em águas de plataforma continental com cerca de 31 metros de profundidade. Destes 44 avistamentos, 42 ocorreram ao largo de Nosy Iranja e da península de Ampasindava; apenas dois foram registados diretamente junto a Nosy Be. Havia também registos históricos mais antigos da zona — de 1991 a 1995, 1998 e 2000 — incluindo uma fotografia de novembro de 1994 que mostra cerca de doze baleias a alimentar-se em conjunto à superfície. Os resultados foram publicados em outubro de 2015 na revista científica Royal Society Open Science, com as primeiras imagens e observações de campo alguma vez publicadas da espécie viva.

Como se reconhece uma baleia de Omura

Fisicamente, a baleia de Omura lembra uma baleia-comum em miniatura, com uma coloração assimétrica pouco comum entre os rorquais: o maxilar inferior é cinzento-escuro do lado esquerdo e tem uma mancha branca do lado direito, com um padrão em "V" claro nas costas. O sinal mais fiável para a distinguir no mar é a nadadeira dorsal, bastante recurvada, e uma única crista no rostro — a baleia-de-Bryde, com quem é frequentemente confundida, tem três cristas. Nos avistamentos de Madagáscar, os adultos mediram entre 8 e 12 metros e as crias entre 3 e 5 metros, valores próximos dos nove exemplares descritos originalmente em 2003 (entre 9,6 e 11,5 metros). Um estudo genético publicado em 2006 (Sasaki e colegas) confirmou tratar-se de uma linhagem muito antiga de rorqual, que se separou das baleias-de-Bryde e sei antes de qualquer uma destas se ter diferenciado.

O que isto significa para quem visita Nosy Be

Vale a pena ser claro sobre uma coisa: isto não é, para já, um produto turístico. Não há operadores em Nosy Be a vender passeios dedicados à observação da baleia de Omura, e a esmagadora maioria dos avistamentos científicos aconteceu no canal entre a ilha e a península de Ampasindava, não junto às praias onde os visitantes normalmente ficam. Ainda assim, é nestas mesmas águas que se concentra a vida da ilha — os visitantes ficam sobretudo em Ambatoloaka, o principal polo de restaurantes e vida noturna a sudoeste de Hell-Ville, ou mais a norte, em Andilana, uma baía mais tranquila protegida por um recife, onde a maré vazia expõe um banco de areia até um ilhéu rochoso ao largo. Nosy Be tem clima tropical, com estação seca aproximadamente entre junho e setembro — a janela mais previsível para visitar — e estação chuvosa entre outubro e maio, com temperaturas diurnas a rondar os 30°C durante todo o ano. O acesso faz-se pelo aeroporto de Fascene (NOS), perto de Hell-Ville, a principal cidade da ilha.

Estatuto de conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica atualmente a baleia de Omura como "Dados Insuficientes" — não porque a espécie esteja necessariamente ameaçada, mas porque ainda não há dados populacionais suficientes para a avaliar com rigor. Está listada no Apêndice I da CITES, que restringe o comércio internacional, e no Apêndice II da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias. As principais ameaças identificadas incluem a captura acidental em artes de pesca e colisões com embarcações, além de casos de caça artesanal registados nas Filipinas e na Indonésia.

A baleia de Omura continua a ser, hoje, uma das espécies de grandes cetáceos menos estudadas do planeta. Mas graças ao trabalho de campo feito ao largo de Madagáscar entre 2011 e 2014, deixou de ser apenas um nome associado a ossos de museu — passou a ser um animal que, nas águas junto a este arquipélago, cientistas finalmente viram nadar.

Perguntas frequentes

É possível ver a baleia de Omura em Nosy Be?

Não através de um produto turístico organizado. Os avistamentos científicos aconteceram sobretudo no canal entre Nosy Be e a península de Ampasindava, a partir de embarcações de investigação — não há, atualmente, operadores em Nosy Be a vender passeios dedicados a esta espécie.

A baleia de Omura está em risco de extinção?

A UICN classifica-a como "Dados Insuficientes", o que significa que não há dados populacionais suficientes para determinar se está ameaçada — não que esteja confirmadamente fora de perigo. Está protegida pelo Apêndice I da CITES.

Qual a diferença entre a baleia de Omura e a baleia-de-Bryde?

A forma mais fiável de as distinguir no mar é o rostro: a baleia de Omura tem uma única crista, enquanto a baleia-de-Bryde tem três.

Qual a melhor altura para visitar Nosy Be?

A estação seca, entre junho e setembro, é a janela mais previsível, com temperaturas diurnas a rondar os 30°C durante todo o ano.

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