Ao largo de Nosy Be, no norte de Madagáscar, existe uma baleia que a ciência só confirmou ter visto viva em 2015. Não é uma espécie recém-descoberta — foi descrita formalmente em 2003 — mas durante mais de uma década foi conhecida apenas através de esqueletos, exemplares capturados e um único animal encalhado. A baleia de Omura tornou-se, de forma quase acidental, um dos casos mais recentes de um grande mamífero marinho documentado vivo pela primeira vez, e as águas junto a este arquipélago fizeram parte dessa história.
A baleia de Omura (Balaenoptera omurai) foi descrita como espécie em 2003 pelos investigadores japoneses Shiro Wada, Masayuki Oishi e Tadasu Yamada, na revista Nature, com base em nove exemplares: oito capturados por navios de investigação japoneses no Indo-Pacífico no final da década de 1970, e um encalhado em Tsunoshima, no Mar do Japão, a 11 de setembro de 1998 — uma fêmea adulta de 11,03 metros que serviu de holótipo da espécie. O nome homenageia o cetólogo japonês Hideo Omura. Até 2015, nenhum destes animais tinha sido observado ou estudado vivo, no oceano, por uma equipa científica.
Essa lacuna começou a fechar-se entre 2011 e 2014, quando uma equipa liderada pelo investigador Salvatore Cerchio, do New England Aquarium e do Woods Hole Oceanographic Institution, passou a percorrer regularmente as águas ao largo do noroeste de Madagáscar. Ao longo desses quatro anos, registaram 44 avistamentos confirmados — 13 em 2013 e 25 em 2014 — a maioria em águas de plataforma continental com cerca de 31 metros de profundidade. Destes 44 avistamentos, 42 ocorreram ao largo de Nosy Iranja e da península de Ampasindava; apenas dois foram registados diretamente junto a Nosy Be. Havia também registos históricos mais antigos da zona — de 1991 a 1995, 1998 e 2000 — incluindo uma fotografia de novembro de 1994 que mostra cerca de doze baleias a alimentar-se em conjunto à superfície. Os resultados foram publicados em outubro de 2015 na revista científica Royal Society Open Science, com as primeiras imagens e observações de campo alguma vez publicadas da espécie viva.
Fisicamente, a baleia de Omura lembra uma baleia-comum em miniatura, com uma coloração assimétrica pouco comum entre os rorquais: o maxilar inferior é cinzento-escuro do lado esquerdo e tem uma mancha branca do lado direito, com um padrão em "V" claro nas costas. O sinal mais fiável para a distinguir no mar é a nadadeira dorsal, bastante recurvada, e uma única crista no rostro — a baleia-de-Bryde, com quem é frequentemente confundida, tem três cristas. Nos avistamentos de Madagáscar, os adultos mediram entre 8 e 12 metros e as crias entre 3 e 5 metros, valores próximos dos nove exemplares descritos originalmente em 2003 (entre 9,6 e 11,5 metros). Um estudo genético publicado em 2006 (Sasaki e colegas) confirmou tratar-se de uma linhagem muito antiga de rorqual, que se separou das baleias-de-Bryde e sei antes de qualquer uma destas se ter diferenciado.
Vale a pena ser claro sobre uma coisa: isto não é, para já, um produto turístico. Não há operadores em Nosy Be a vender passeios dedicados à observação da baleia de Omura, e a esmagadora maioria dos avistamentos científicos aconteceu no canal entre a ilha e a península de Ampasindava, não junto às praias onde os visitantes normalmente ficam. Ainda assim, é nestas mesmas águas que se concentra a vida da ilha — os visitantes ficam sobretudo em Ambatoloaka, o principal polo de restaurantes e vida noturna a sudoeste de Hell-Ville, ou mais a norte, em Andilana, uma baía mais tranquila protegida por um recife, onde a maré vazia expõe um banco de areia até um ilhéu rochoso ao largo. Nosy Be tem clima tropical, com estação seca aproximadamente entre junho e setembro — a janela mais previsível para visitar — e estação chuvosa entre outubro e maio, com temperaturas diurnas a rondar os 30°C durante todo o ano. O acesso faz-se pelo aeroporto de Fascene (NOS), perto de Hell-Ville, a principal cidade da ilha.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica atualmente a baleia de Omura como "Dados Insuficientes" — não porque a espécie esteja necessariamente ameaçada, mas porque ainda não há dados populacionais suficientes para a avaliar com rigor. Está listada no Apêndice I da CITES, que restringe o comércio internacional, e no Apêndice II da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias. As principais ameaças identificadas incluem a captura acidental em artes de pesca e colisões com embarcações, além de casos de caça artesanal registados nas Filipinas e na Indonésia.
A baleia de Omura continua a ser, hoje, uma das espécies de grandes cetáceos menos estudadas do planeta. Mas graças ao trabalho de campo feito ao largo de Madagáscar entre 2011 e 2014, deixou de ser apenas um nome associado a ossos de museu — passou a ser um animal que, nas águas junto a este arquipélago, cientistas finalmente viram nadar.
Não através de um produto turístico organizado. Os avistamentos científicos aconteceram sobretudo no canal entre Nosy Be e a península de Ampasindava, a partir de embarcações de investigação — não há, atualmente, operadores em Nosy Be a vender passeios dedicados a esta espécie.
A UICN classifica-a como "Dados Insuficientes", o que significa que não há dados populacionais suficientes para determinar se está ameaçada — não que esteja confirmadamente fora de perigo. Está protegida pelo Apêndice I da CITES.
A forma mais fiável de as distinguir no mar é o rostro: a baleia de Omura tem uma única crista, enquanto a baleia-de-Bryde tem três.
A estação seca, entre junho e setembro, é a janela mais previsível, com temperaturas diurnas a rondar os 30°C durante todo o ano.
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